sexta-feira, 30 de abril de 2010

Meio intelectual, meio de esquerda

Olá Galera,
quem me conhece sabe que adoro uma piada boa e odeio tipo...
Já ouvi milhares de piadinhas por ir em butecos simples e ficar falando de política... que é clichê meio intelectual meio de esquerda, coisa e tal...
Acho que devemos separar bem o que é piada sobre nossa posição política e piada sobre uma série de comportamentos padrões que temos e nem percebemos as ironias que ele traz, como algumas descritas no texto...


A piada é bem sacada, eu acho...rs


Cris Roseno


Bar ruim é lindo, bicho
Por Antonio Prata


Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil.
Assim como não é qualquer bar ruim.
Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.
Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.
Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.
Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.
Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.
Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.
Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!
Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.
Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

My Girl

The Temptations (vídeo acima) na virada Cultural 2010!!!!!

Confira a programação:

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/virada+cultural+e+ampliada+em+2010/n1237597916416.html

terça-feira, 6 de abril de 2010

Versos sem título!

Nessa manhã chuvosa acordei apaixonada.
Em meio a tantas coisas a fazer só penso em nunca nada mudar.
Na bagunça da minha cabeça quero você em mim grudada
E você centrado buscando um objeto em algum lugar...

Claro que eu sou desligada
E nunca termino meus afazeres
E mesmo sem dizer nada
Você contempla os meus prazeres

Preciso de coisas novas
Pra nada ficar morno
Por isso uso palavras
E enquanto espero o almoço

Tentando fazer um poema
Pra controlar o meu fogo
Percebo que faço teoremas
E você mosca de novo....

quarta-feira, 24 de março de 2010

Se numa noite clara não me notas...

Existem coisas que me deixam muito chateadas:
Telefones celulares enganadores, falta de coragem, nebulosidade...

Coisas que deixamos pra resolver uma semana depois;
Coisas mornas...

Mas o pior é estar de mãos atadas.

" Mas se tu queres deixar tudo como está,
Não prometo no fogo minhas mãos deixar.
Faço minhas malas não demoro a partir
Mas parto olhando
Pra ver ser tu vais me seguir..."

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Eu perco o chão,
Eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio..."

... eu sei é lá...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amor à moda antiga

Boneca de trapo, pedaço da vida
Que vive perdida no mundo a rolar
Farrapo de gente que inconsciente
Peca só por prazer, vive para pecar

Boneca, eu te quero com todo pecado
Com todos os vícios, com tudo, afinal
Eu quero esse corpo que a plebe deseja
Embora, ele seja prenúncio do mal

Boneca noturna que gosta da lua
Que é fã das estrelas e adora o luar
Que sai pela noite e amanhece na rua
E há muito não sabe o que é luz solar

Boneca vadia de manha e artifícios
Eu quero para mim seu amor, só porque
Aceito seus erros, pecados e vícios
Pois, na minha vida, meu vício é você

Adelino Moreira

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tributo à tristeza




Todo mundo fica triste. Parece que não podemos ficar tristes sem motivo.


Precisamos estar felizes por ter saúde, por ter um amor, por ser jovem, por ter um lar...


Mas a tristeza pega a todos.


A sociedade sem poesia vende uma felicidade vazia:


10 dicas para ser feliz no amor;


10 dicas para ser feliz na labuta;


10 dicas para ter um corpo perfeito... para ser mais feliz...


Mas o que seria da poesia sem solidão?


O que seria da filosofia sem a melancolia?


O que seria da felicidade sem a tristeza?


Fico satisfeita com meus dias frios, em que paro pra pensar nas angústias da vida.


Amo não querer estar neste mundo, pois é desse amor sofrido que invento o meu mundo pra me distrair.


O amor é meio tristeza e meio felicidade.


Ele é denso.


Ele é suave.


Chega até a ser refrescante...


Machuca pra curar.


E nesse chove e não molha, ele encanta os apaixonados e perturba os centrados.




No fim desse dia tão triste que tive, agradeço por ser triste pelo menos por hoje.