sábado, 29 de janeiro de 2011

Do osso ao caos

Se você quer saber por que prefiro fugir,
é porque tudo que passei ninguém consegue ouvir.
Nunca é fácil carregar sua família nas costas,
e não lembrar da infância - eu bloqueei na memória

Todos os traumas coletivos eu vivi desde cedo
Por isso falo tão serena o que te daria nos nervos.
Chega uma hora que a gente pára para pensar:
será mesmo que um dia eu aprendi a amar?

Para mim amor é abrir mão de princípios morais
pra dar comida pros filhos, mesmo perdendo a paz.
Gerações e gerações de vida sobrevivida
Eu sou fadada a ser a salvação da família

O foda é mesmo assim pensar o por quê passo por isso
Isso aumenta o meu ódio contra o capitalismo
Não quero ser rica, não posso e não tenho essa ambição
Eu só quero ter paz mesmo sendo ilusão.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Terça-Feira

Eram quatro da manhã. Carolina estava em uma parada de ônibus caminho para a capital.
Ela fumava o único cigarro que o tempo lhe permitia. Pensativa e passiva às circunstâncias que o tempo lhe impôs.
Neste momento, Julio bebia aflito em uma balada da Rua Augusta, aflito por saber que algumas horas adiante iria por à perder uma das poucas chances que a vida lhe deu. Tudo porque o tempo não foi generoso para com ele.

Abatida, com o coração no bolso lateral da mochila, Carolina chega ao Terminal Rodoviário da Barra Funda, como se estivesse caminhando contra gosto à forca. Caminha até a saída mais próxima, e sobe a escada rolante. Enquanto tenta fechar o botão defeituoso da sua blusa, olha para cima e vê ao fim da escada Julio, quase irreconhecível de tanta tristeza. Ela desvia o olhar, respira, e tenta manter a calma.

Tudo o que conversaram no caminho para o apartamento no marco zero da cidade, foi sem importância, o riso era disfarce, e nada mais fazia sentido. Sem conseguir comer, ela pede um café amargo na lanchonete da esquina. Julio, ainda meio bêbado por não ter dormido naquela noite e nos dias anteriores, observa.

Chegando ao apartamento os dois preferem tentar dormir um pouco. Abraçados, Julio dorme e Carol fica acordada, só se preocupando em sentir o que poderia ser o ultimo abraço deitada naquele colchão e naquele apartamento estranho que originou a admiração dos dois pela terça-feira.

Cansada de esperá-lo acordar e tentando prolongar a espera ao mesmo tempo, Carol resolve caminhar sozinha pelo centro da cidade, na esperança de comprar algo pra comer, pois se não o estomago não aceitaria mais um cigarro, vital naquele momento.

Ao voltar ela o acorda, mas como fosse mais forte que ela, se deita ao lado dele. Esta proximidade tão prazerosa todos os dias que estiveram juntos – sem nenhuma exceção – agora trazia uma agonia profunda. Ele precisava terminar o melhor relacionamento que já teve, por culpa das marcas que o tempo deixou e a falta de experiência com o amor que o tempo não o presenteou. Tinha um profundo medo de não conseguir dar a ela tudo que ela merecia. Se esqueceu que com ela seria mais fácil superar qualquer coisa. Ela sabia que nada poderia fazer a respeito e estava magoada por ele não acreditar que ele merecia todo amor que ela queria lhe dar, e por isso pôs tudo a perder.

Durante a conversa final, nada fazia sentido. Enquanto os dois choravam juntos, como sempre estiveram, a vontade de tocar um ao outro ainda era predominante. No corpo de Julio ainda havia as marcas dos dentes de Carol em seu ombro. Ao olhar para ele, ela só pensava como seria nunca mais o morder de tanto tesão. Julio chorou ao olhar seu ombro dias atrás...

Ele não conseguia olhar aquela boca sem pensar em a beijar, estava fazendo um grande esforço. Carol não tinha nada a perder, e não pensava em nada, só em prolongar estar com ele mesmo se fosse a ultima vez. Ela não o chingou, e nem saiu e bateu a porta. Apenas quis sentir o calor daquelas mãos novamente.

Ao falarem o quanto foi bom e intenso o melhor namoro que tiveram, não encontraram um dia se quer que estiveram juntos que não foi fantástico. E não havia. O ultimo dia tinha que ser inesquecível igualmente. Não queriam brigar, e sim relembrar o quanto tudo foi bom. Em pouco tempo após algumas lagrimas riram de si mesmos, por não conseguirem brigar de tanto amor.

Carolina acariciava a barba de Julio, enquanto lembrava-se da expressão mais bonita que já viu: a dele em um determinado dia daquele verão, com a luz acesa e ela por cima. Ele também olhava para ela, sentindo aquela paz que podia resolver todos os problemas instantaneamente.

Resolveram se entregar pela ultima vez, pois sabiam que seria bom. Queriam-se mais que nunca. Iam deixar pra sofrer depois do adeus. Uma mordida nova no ombro de Julio. Esta ultima doeu mais em Carol...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Outra vez!

Você foi...
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci

Você foi...
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim

Você foi...
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu

E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez.

Você foi...
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu

Você foi...
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...

Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Terça-feira.

Finalmente resolvi postar...
A vida é mesmo uma caixa de surpresas. As pessoas e seus conflitos me deixam aflita. Em meio de um mar de dificudades, encontro repolso nos braços de alguém. Alguém que também tem um mar de dificuldades e crises. As crises do outro me deixam em crise, mas será que é recíproco? Como saber?
Os relacionamentos são trocas e doações ao mesmo tempo. A voltade de estar junto bagunça a vida e o cabelo.
As vezes você quer entrar dentro do outro, não só do corpo e sim dos sentimentos.
Os dois também se misturam.
As coisas vão se delineando pouco a pouco, e as vezes o medo cresce quando as coisas ficam mais racionais. Saber que as coisas boas podem ter um fim, é muito difícil. Não importa quanto tempo demore pra isso acontecer, um mês ou anos, é sempre dolorido. Se termina antes de se consolidar, a dor é diferente, pois você sempre pensa o que poderia ter sido.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Será que vai dar certo?

O amor é um jogo de forças. Ganha quem tiver a química mais parecida com a sua.
Mas esse parecido é relativo demais... existem químicas mais parecidas dependendo do momento.

Mas quando acho essa química, só quero ela até me esbaldar. Hoje, consigo entender porque as pessoas casam e/ou são monogâmicas... é pura energia sexual. Bom, acho que o jeito que isso funciona muda de pessoa para pessoa.

A sua química, os elementos que compõe você, sua energia, ou o que você quiser chamar isso, é que vai definir o tipo de relacionamento que vai te fazer feliz. Moda não é o parâmetro.
Se nisso as pessoas combinarem, já é um passo dado. Mas não é só isso.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Você já me esqueceu

Vem
Você bem sabe que aqui é o seu lugar
E sem você consigo apenas compreender
Que sua ausência faz a noite se alongar
Vem
Há tanta coisa que eu preciso lhe dizer
Quando o desejo que me queima se acalmar
Preciso de você para viver
É noite amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu
Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você
Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu
Você já me esqueceu
Você já me esqueceu
É noite amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu
Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você
Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu
Você já me esqueceu
Você já me esqueceu
Você não veio amor
Você já me esqueceu

Roberto Carlos
composição: Fred Jorge

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Alvorada

A Lua foi minha cumplice e minha rival.
Eu a amei e a vi parti.
O orvalho tocou meu rosto, me congelou e me renovou.
Quando achei que não restou mais nada para eu admirar,
me vi sozinha e brilhando como a alvorada.

cris roseno


(Agora é a vez de dizer: e que venham as boníssimas novas!)